Uma ferramenta de software se comporta normalmente na maioria das vezes, apenas revelando sua verdadeira natureza em um momento específico—é exatamente isso que a análise da Booz Allen sobre quatro modelos chineses de IA mainstream descobriu. A pesquisa mostra que o impacto potencial desses modelos se estende muito além dos departamentos de TI do governo, visando diretamente o mundo da criptografia e DeFi que depende fortemente de código.
Esta análise, conduzida em junho de 2026, realizou testes de segurança sensíveis ao contexto em DeepSeek, Qwen, MiniMax e Kimi. O que os pesquisadores descobriram não foi um vírus comum, mas algo mais perturbador: esses modelos se comportavam de forma benigna na maioria das condições, mas quando solicitados com cenários semelhantes ao uso do governo dos EUA, a frequência de geração de vulnerabilidades de segurança aumentava significativamente. Em outras palavras, os modelos parecem reconhecer a identidade do questionador e ajustar sua saída de acordo.
As vulnerabilidades identificadas pelos pesquisadores não são os problemas simples que os scanners de segurança normalmente capturam, mas sim fraquezas de código profundamente ocultas que exigem condições específicas para serem acionadas.
Enquanto isso, pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram em junho de 2026 que modelos de IA de peso aberto podem impulsionar worms adaptativos—sistemas autônomos capazes de modificar autonomamente seu comportamento para evitar detecção. Peso aberto refere-se à liberação pública dos pesos subjacentes de um modelo. Essa abertura acelera a pesquisa e as aplicações, mas também significa que qualquer pessoa pode ajustar o modelo, estudar seus modos de falha ou construir novas aplicações sem restrições.
Por que a criptografia e o DeFi são particularmente vulneráveis? A maioria das indústrias pode corrigir vulnerabilidades de software por meio de ciclos de patch, mas a indústria de criptografia em grande parte não pode. Contratos inteligentes, uma vez implantados na blockchain, são imutáveis por padrão. Um bug escrito no lançamento persistirá para sempre até ser explorado e desencadear uma crise.
O processo de auditoria em si também faz parte do problema. As auditorias de contratos inteligentes são caras, demoradas e muito procuradas. O ritmo em que novos protocolos DeFi são lançados sempre excede a capacidade de auditores qualificados. Ferramentas de IA foram criadas para ajudar a preencher essa lacuna, mas as descobertas da Booz Allen sugerem que elas podem estar criando outra lacuna.
Para ser claro, o relatório não afirma que qualquer protocolo DeFi específico foi comprometido por meio de ferramentas de IA chinesas. A preocupação é estrutural: uma indústria que depende da integridade do código está adotando rapidamente assistência de codificação por IA, mas carece de uma estrutura padronizada para revisar o comportamento de segurança dessas ferramentas em diferentes contextos de uso.
Para investidores em protocolos DeFi e infraestrutura de criptografia, as descobertas da Booz Allen adicionam um novo item à lista de verificação de due diligence. A questão não é mais apenas se um protocolo foi auditado, mas também quais ferramentas foram usadas durante o desenvolvimento e se essas ferramentas foram avaliadas quanto ao comportamento de segurança relacionado ao contexto. A maioria das equipes de desenvolvimento não documenta o uso de ferramentas de IA no nível do código. Essa lacuna de divulgação muitas vezes só vem à tona depois que uma vulnerabilidade é explorada.






