O Banco do Brasil investiu US$ 5 milhões em uma nota estruturada digitalmente nativa emitida pelo Citi na infraestrutura baseada em blockchain da Euroclear, concluindo o que o banco descreveu como a primeira transação do tipo envolvendo uma instituição latino-americana.
Resumo
- O Banco do Brasil investiu US$ 5 milhões por meio de sua tesouraria proprietária em uma nota estruturada digitalmente nativa emitida pelo Citi na plataforma D-FMI da Euroclear.
- O banco descreveu o investimento como sua primeira transação de nota digital e o primeiro negócio do tipo envolvendo uma instituição latino-americana.
- O Citi emitiu a nota estruturada por meio de sua entidade em Luxemburgo, enquanto sua filial em Londres atuou como agente de emissão e pagamento.
- A nota foi emitida, registrada e gerenciada por meio de infraestrutura blockchain projetada para reduzir etapas de processamento e melhorar a rastreabilidade das transações.
O Banco do Brasil disse que sua tesouraria proprietária participou como investidor na Nota Estruturada Digitalmente Nativa emitida pela Citigroup Global Markets Funding Luxembourg SCA na plataforma Digital Financial Market Infrastructure (D-FMI) da Euroclear.
O Citi Issuer Services, operando por meio da filial de Londres do Citibank N.A., atuou como agente de emissão e pagamento da nota.
A transação dá ao Banco do Brasil exposição direta a um título emitido e gerenciado por meio de infraestrutura blockchain, parte de uma série de experimentos institucionais que buscam trazer instrumentos financeiros convencionais para ledgers distribuídos.
Banco do Brasil entra no mercado de notas digitais por meio de acordo com o Citi
O Banco do Brasil descreveu a transação como seu primeiro investimento em notas digitais e parte de seu trabalho para avaliar novas infraestruturas financeiras construídas em torno da tecnologia de ledger distribuído.
Ao contrário de uma nota convencional, que pode depender de vários sistemas e etapas de processamento sequenciais, o instrumento digital é emitido, registrado e gerenciado por meio de infraestrutura baseada em blockchain.
O Banco do Brasil disse que a estrutura pode reduzir etapas operacionais, dando aos participantes maior visibilidade sobre os registros de transações e apoiando liquidação, conciliação e gestão de ativos em um sistema mais integrado.
O banco participou por meio de sua tesouraria proprietária, colocando-se diretamente no lado do investidor da emissão, em vez de atuar apenas como intermediário financeiro.
Seu envolvimento ocorre enquanto bancos, empresas de pagamento e provedores de infraestrutura de mercado continuam testando como o blockchain pode funcionar ao lado dos sistemas institucionais existentes.
O Crypto.news informou anteriormente que a empresa de pagamentos Bottomline havia conectado sua rede bancária à infraestrutura da Chainlink, dando a mais de 600 bancos uma rota para liquidação baseada em blockchain, mantendo o sistema de mensagens ISO 20022 existente.
A Bottomline processa mais de US$ 16 trilhões em pagamentos a cada ano, e a integração foi projetada para conectar instruções de pagamento convencionais a redes blockchain públicas e privadas.
A transação do Banco do Brasil usa uma estrutura diferente, com infraestrutura blockchain apoiando a emissão e gestão de um instrumento de investimento, em vez de mensagens de pagamento.
Francisco Lassalvia, vice-presidente de Wholesale Banking do Banco do Brasil, disse que o banco vê a digitalização do mercado financeiro como um desenvolvimento estrutural de longo prazo.
“Acreditamos que a digitalização dos mercados financeiros representa uma tendência estrutural de longo prazo”, disse Lassalvia.
Ele disse que transações desse tipo podem ajudar a estabelecer padrões, sistemas de governança e infraestrutura capazes de apoiar uma nova geração de ativos digitais.
De acordo com Lassalvia, tais sistemas poderiam aumentar a eficiência do mercado, permitindo que instituições financeiras busquem inovação com segurança e resiliência operacional.
Citi emite nota de US$ 5 milhões por meio do Euroclear D-FMI
O Citi emitiu a nota estruturada por meio da Citigroup Global Markets Funding Luxembourg SCA, enquanto a Euroclear forneceu a infraestrutura digital usada para criar e gerenciar o instrumento.
A Euroclear opera infraestrutura de liquidação de valores mobiliários e pós-negociação para instituições financeiras em mercados globais. Sua plataforma D-FMI estende esse papel a instrumentos financeiros nativamente digitais construídos com tecnologia de livro-razão distribuído.
O título foi criado em formato digital na plataforma baseada em blockchain desde a emissão, distinguindo-o de estruturas onde um ativo convencional é criado primeiro e depois representado por meio de um token.
O Banco do Brasil afirmou que a digitalização nativa pode reduzir o número de etapas operacionais envolvidas no manuseio de um ativo, melhorando ao mesmo tempo a rastreabilidade das transações.
Experimentos semelhantes se expandiram pelas finanças convencionais, à medida que instituições financeiras testam infraestrutura de blockchain para valores mobiliários, fundos, pagamentos e garantias.
A Circle, por exemplo, está se preparando para lançar um blockchain institucional cujos validadores fundadores incluem BlackRock, DTCC, Visa, Mastercard, Standard Chartered e Intercontinental Exchange. Espera-se que a rede suporte ativos financeiros tokenizados, com a DTCC planejando tokenizar ativos custodiados pela DTC na cadeia a partir de 2027.
Espera-se que a BlackRock implante seu fundo BUIDL tokenizado na mesma rede, permitindo que participantes institucionais subscrevam, resgatem e usem ativos do fundo em um ambiente onchain.
O investimento do Banco do Brasil permanece focado em uma nota estruturada, em vez de um fundo ou instrumento de pagamento, mas usa uma abordagem subjacente semelhante de colocar partes da atividade do mercado financeiro convencional em infraestrutura de livro-razão distribuído.
Roksolana Dushynska, Gerente de Estruturação de Ações de Emissão de Mercados Globais do Citi, disse que a transação fez parte do trabalho do banco em mercados de capitais digitais.
“A mais recente emissão da nossa Nota Estruturada Digital Nativa reforça o papel que o Citi está desempenhando na aceleração do crescimento dos mercados de capitais digitais”, disse Dushynska.
Ela disse que a tecnologia de livro-razão distribuído estava sendo usada nos mercados de capitais para melhorar a eficiência, a transparência e a acessibilidade para os investidores.
O Citi pretende continuar desenvolvendo modelos usando a tecnologia, à medida que instituições financeiras examinam novas maneiras de emitir, negociar e gerenciar ativos, acrescentou ela.
Notas digitais podem reduzir etapas de processamento convencionais
A infraestrutura tradicional de valores mobiliários pode envolver sistemas e intermediários separados lidando com emissão, registro, conciliação, liquidação e manutenção de registros.
As informações podem precisar passar entre várias plataformas à medida que uma transação avança em seu ciclo de vida.
Sob o modelo usado para o investimento do Banco do Brasil, a nota é gerenciada por meio de infraestrutura de blockchain destinada a fornecer aos participantes um registro digital comum.
O Banco do Brasil disse que a configuração tem o potencial de tornar os processos de liquidação, conciliação e gestão de ativos mais rápidos e eficientes, aumentando ao mesmo tempo a transparência e a rastreabilidade.
A distinção entre títulos nativamente digitais e outros produtos financeiros baseados em blockchain tornou-se cada vez mais relevante à medida que as empresas adotam diferentes formas de tokenização.
Alguns produtos tokenizados apenas rastreiam o valor econômico de um ativo subjacente sem dar aos investidores direitos de propriedade. Os tokens de ações da Robinhood, por exemplo, fornecem exposição econômica a ações sem tornar os detentores de tokens acionistas das empresas cujas ações eles rastreiam.
Outros modelos usam blockchain como parte do processo real de emissão ou registro de valores mobiliários.
O investimento do Banco do Brasil se enquadra na última categoria porque a nota estruturada foi emitida nativamente através da infraestrutura de mercado digital da Euroclear.
Empresas financeiras estão testando modelos semelhantes para negociação. O fundador da Uniswap, Hayden Adams, discutiu recentemente como títulos tokenizados poderiam ser negociados diretamente entre si em pools de liquidez baseados em blockchain, em vez de exigir que cada transação seja liquidada em dólares.
Dez pools de ações tokenizadas contra SPY geraram US$ 33 milhões em volume de negociação de mais de 11.000 traders quando a proposta foi discutida, mostrando outro método pelo qual a infraestrutura de blockchain está sendo testada em torno de ativos financeiros convencionais.
Banco do Brasil testa infraestrutura de blockchain para produtos institucionais
Para o Banco do Brasil, o investimento de US$ 5 milhões faz parte de sua avaliação de tecnologia que poderia apoiar produtos institucionais e infraestrutura do mercado financeiro.
O banco afirmou que está avaliando novos modelos de infraestrutura que poderiam contribuir para a modernização do sistema financeiro e apoiar produtos e serviços para investidores institucionais.
Sua participação coloca um grande banco latino-americano diretamente dentro de uma transação de valores mobiliários digitalmente nativa conduzida por instituições financeiras internacionais estabelecidas.
A estrutura manteve vários papéis familiares aos mercados de capitais convencionais. O Citi permaneceu responsável pela emissão do título por meio de sua entidade em Luxemburgo, sua filial em Londres cuidou das funções de emissão e agência de pagamento, a Euroclear forneceu a plataforma D-FMI e o Banco do Brasil participou como investidor.
O Banco do Brasil afirmou que instituições financeiras, reguladores e investidores em todo o mundo têm prestado atenção crescente a plataformas digitais capazes de emitir e liquidar instrumentos financeiros.
A digitalização nativa pode reduzir etapas operacionais e fornecer um histórico de transações rastreável, criando infraestrutura que pode apoiar novos modelos de negociação, liquidação e gestão de ativos, de acordo com o banco.
A transação ocorreu no dia 19, com o Banco do Brasil investindo por meio de sua tesouraria própria e o Citi e a Euroclear cuidando das funções de emissão e infraestrutura para a nota estruturada digitalmente nativa de US$ 5 milhões.






