Banco da Coreia Conclui Teste de Pagamentos Tokenizados do BIS: O Projeto Agorá Pode Redefinir a Liquidação Transfronteiriça?

liquidação transfronteiriçapagamentos tokenizadosProjeto AgoráBank of KoreaCBDCBIS
2026-07-31Fonte: mexc.com
Banco da Coreia Conclui Teste de Pagamentos Tokenizados do BIS: O Projeto Agorá Pode Redefinir a Liquidação Transfronteiriça?

Visão Geral

O Banco da Coreia participou de um teste de transação com valor real sob o Projeto Agorá, uma iniciativa internacional de pagamentos tokenizados liderada pelo Banco de Compensações Internacionais. O experimento cobriu seis moedas, 17 cenários de transação e aproximadamente CHF 800.000 em valor.

Embora o valor fosse relativamente pequeno, o teste marcou um passo importante além das transações simuladas. Ele examinou se as reservas tokenizadas do banco central e os depósitos tokenizados de bancos comerciais poderiam interagir por meio de infraestrutura programável compartilhada, preservando os papéis existentes dos bancos centrais e comerciais.

Principais Conclusões

  • O Projeto Agorá conecta reservas tokenizadas do banco central e depósitos tokenizados de bancos comerciais em um quadro de pagamento institucional compartilhado.
  • O teste cobriu seis moedas e 17 cenários de transação envolvendo aproximadamente CHF 800.000.
  • Cinco grandes bancos sul-coreanos participaram junto com o Banco da Coreia.
  • A tokenização pode reduzir atrasos de conciliação, risco de liquidação e liquidez fragmentada.
  • O experimento demonstrou viabilidade em condições controladas, não prontidão para implantação em escala comercial.

O Que o Projeto Agorá Testou?

Participantes, Moedas e Transações

O teste mais recente envolveu 28 bancos centrais e instituições financeiras. Ele cobriu o won sul-coreano, o dólar americano, o euro, a libra esterlina, o franco suíço e o iene japonês. Os participantes sul-coreanos incluíram KB Kookmin Bank, NongHyup Bank, Shinhan Bank, Woori Bank e Hana Bank.

Os participantes testaram 17 cenários envolvendo diferentes moedas, instituições e relações de pagamento. Isso incluiu liquidação entre bancos, pagamentos entre moedas, transferências corporativas e movimentos internos de liquidez.

Esse escopo mais amplo é importante porque os pagamentos transfronteiriços exigem mais do que o movimento técnico de tokens digitais. Cada transação também deve satisfazer requisitos de autorização, conformidade, liquidez, contabilidade e liquidação em várias instituições.

Por Que o Teste com Valor Real é Importante

Transações simuladas podem mostrar que uma plataforma funciona tecnicamente, mas não estabelecem se os bancos podem usá-la para liquidar obrigações financeiras reais. Uma vez que fundos reais estão envolvidos, os participantes devem conectar a execução da transação com aprovações internas, gestão de saldos, relatórios e controles de risco.

Os aproximadamente CHF 800.000 processados não foram suficientes para testar a escala comercial. No entanto, usar valor real tornou o experimento mais significativo do que uma prova de conceito convencional, porque erros, atrasos e decisões de liquidez tiveram consequências operacionais.

O teste deve, portanto, ser visto como uma validação controlada. Ele mostrou que funções selecionadas de pagamento tokenizado poderiam operar com saldos reais, mas não provou que o Projeto Agorá poderia substituir as redes existentes de pagamentos transfronteiriços.

Como Funciona o Projeto Agorá?

Reservas Tokenizadas e Depósitos de Bancos Comerciais

O Projeto Agorá explora se reservas tokenizadas do banco central e depósitos tokenizados de bancos comerciais podem coexistir em infraestrutura programável compartilhada.

As reservas tokenizadas do banco central representam ativos de liquidação disponíveis para instituições financeiras elegíveis. Os depósitos tokenizados permanecem como passivos dos bancos comerciais e representam dinheiro mantido por seus clientes ou contrapartes institucionais. Coordenar ambas as formas de dinheiro poderia permitir que instruções de pagamento e liquidação final ocorressem de forma mais próxima.

O projeto não busca eliminar os bancos comerciais. Os bancos centrais continuariam fornecendo o ativo final de liquidação interbancária, enquanto os bancos comerciais manteriam a responsabilidade pelas contas de clientes, conformidade, intermediação de crédito e serviços de pagamento.

Isso preserva o sistema bancário de dois níveis, enquanto tenta melhorar a infraestrutura que conecta seus participantes.

Um Sistema de Pagamento por Atacado

O Projeto Agorá foca em transações institucionais por atacado. Não é uma moeda digital de banco central de varejo que os consumidores manteriam em carteiras pessoais ou usariam diretamente em comerciantes.

O acesso às reservas tokenizadas do banco central permaneceria restrito a instituições elegíveis. Os bancos comerciais continuariam gerenciando relacionamentos com clientes e obrigações regulatórias.

Uma plataforma de liquidação por atacado deve, portanto, ser avaliada de acordo com a finalidade legal, eficiência de liquidez, interoperabilidade institucional, conformidade regulatória e resiliência operacional—não adoção pelo consumidor ou aceitação por comerciantes.

Como a Tokenização Poderia Melhorar os Pagamentos Transfronteiriços?

Menos Etapas de Conciliação

Um pagamento internacional convencional pode passar por vários bancos correspondentes. Cada instituição mantém seu próprio livro-razão, realiza procedimentos de conformidade e troca mensagens com outros participantes. Diferenças em horários de funcionamento, estruturas de contas e manutenção de registros podem criar atrasos e dificultar o rastreamento do status da transação.

Uma plataforma programável compartilhada poderia coordenar instruções de pagamento, transferências de ativos e condições de liquidação no mesmo ambiente de transação. Uma vez que os saldos e aprovações necessários estejam disponíveis, a transferência poderia ser executada sem que cada participante concilie separadamente múltiplos sistemas.

Os bancos ainda precisariam identificar clientes, rastrear transações, cumprir sanções e atender aos requisitos de relatórios. A tokenização não removeria essas obrigações. Sua vantagem potencial reside na redução de processos duplicados e em dar às instituições autorizadas um estado de transação consistente.

Liquidação Atômica e Menor Risco

A infraestrutura programável pode tornar diferentes etapas de uma transação condicionais entre si. Em um pagamento entre moedas, ambas as moedas poderiam ser transferidas juntas ou nenhuma transferência ocorreria.

Esse modelo de liquidação atômica reduz o risco de uma parte cumprir sua obrigação enquanto a outra não. Também pode apoiar acordos de pagamento contra pagamento em múltiplas moedas e instituições.

O conceito já existe nas finanças tradicionais, mas a tokenização poderia incorporar essas condições diretamente em mais transações. Aprovações de conformidade, disponibilidade de ativos e instruções de liquidação poderiam ser verificadas antes da execução, em vez de conciliadas posteriormente.

Melhor Gestão de Liquidez

Os bancos mantêm saldos em várias moedas, contas correspondentes e sistemas de pagamento para garantir que as transações possam ser processadas. Esses pools fragmentados podem deixar capital ocioso porque os fundos disponíveis em uma parte da rede não podem facilmente satisfazer obrigações em outro lugar.

Uma plataforma sincronizada poderia dar às instituições uma visão mais clara das obrigações pendentes e dos saldos disponíveis. Isso pode permitir que elas aloquem liquidez com mais precisão e reduzam o pré-financiamento excessivo.

O benefício dependerá da participação. Se apenas um número limitado de bancos ou moedas estiver conectado, as instituições ainda podem precisar manter liquidez substancial fora da plataforma.

O Que o Teste Provou?

O experimento demonstrou que transações de valor real envolvendo reservas tokenizadas poderiam ser executadas em várias moedas e cenários institucionais. Também mostrou que bancos centrais e comerciais poderiam coordenar diferentes formas de moeda regulada dentro de um ambiente técnico comum.

Isso apoia o argumento de que a tokenização não exige substituir a estrutura monetária existente. As reservas do banco central e os depósitos dos bancos comerciais podem manter seus emissores separados e características legais enquanto interagem por meio de lógica de liquidação compartilhada.

No entanto, o teste estabeleceu viabilidade apenas dentro de um ambiente controlado. Seu valor e volume de transações limitados não revelaram como o sistema se comportaria durante estresse de mercado, interrupções operacionais, ataques cibernéticos ou grandes movimentos de liquidez.

O Projeto Agorá avançou além da teoria, mas ainda não demonstrou a resiliência necessária para uma infraestrutura de pagamento sistemicamente importante.

Quais Desafios Permanecem?

Escalabilidade e Integração Bancária

A implantação comercial exigiria que o Projeto Agorá processasse volumes de transações muito maiores em mais moedas, bancos e jurisdições.

Os bancos também precisariam de conexões automatizadas entre a plataforma e seus sistemas centrais. Essas integrações cobririam contas de clientes, operações de tesouraria, triagem de sanções, contabilidade, controles de liquidez e relatórios regulatórios.

Se as instituições tiverem que transferir informações manualmente entre a plataforma tokenizada e os sistemas existentes, o projeto pode adicionar complexidade em vez de reduzi-la. Seu valor dependerá de se pode eliminar a duplicação operacional em vez de criar outra camada de liquidação.

Definitividade Legal e Privacidade

Transações transfronteiriças levantam questões sobre qual lei rege uma transferência, quando a liquidação se torna definitiva, como os depósitos tokenizados são tratados durante a insolvência e qual autoridade é responsável quando ocorre um erro.

Uma transação pode estar tecnicamente completa enquanto permanece legalmente disputada. As jurisdições participantes precisarão, portanto, de regras compatíveis sobre propriedade, definitividade da liquidação, responsabilidade e moeda bancária tokenizada.

Privacidade e requisitos de localização de dados apresentam outro desafio. As instituições devem determinar quais informações podem ser compartilhadas entre fronteiras e quais participantes podem vê-las. O sistema deve coordenar a liquidação sem expor desnecessariamente dados confidenciais do cliente.

Governança e Resiliência Operacional

Uma plataforma de liquidação multinacional não pode ser governada como um sistema bancário interno. Os participantes devem concordar com requisitos de acesso, atualizações de software, supervisão técnica, responsabilidade, resolução de disputas e procedimentos de emergência.

Testes futuros devem examinar liquidez insuficiente, instruções conflitantes, aprovações atrasadas, incidentes cibernéticos, interrupções de sistema e a falha de uma instituição participante. Essas condições mostrarão se o sistema pode preservar a integridade da transação quando componentes individuais não funcionam como esperado.

Como o Projeto Agorá é Diferente das Stablecoins e CBDCs?

1-2

Stablecoins geralmente fornecem direitos sobre emissores privados e circulam por meio de redes blockchain. Depósitos bancários tokenizados permanecem como passivos de bancos comerciais regulamentados, enquanto reservas do banco central tokenizadas fornecem um ativo de liquidação entre instituições elegíveis.

O Projeto Agorá está, portanto, mais próximo da infraestrutura bancária atacadista do que de uma rede pública de stablecoins. Ele pode eventualmente interagir com títulos tokenizados ou outros mercados de blockchain, mas tais conexões introduziriam questões adicionais sobre acesso, resgate, conformidade e status legal.

Por que a Participação da Coreia do Sul é Importante

A participação da Coreia do Sul dá ao seu banco central e aos bancos comerciais experiência direta com liquidação tokenizada em múltiplas moedas. O envolvimento de cinco grandes bancos é particularmente importante porque a adoção prática depende de instituições comerciais.

Esses bancos devem determinar como os depósitos tokenizados se conectariam com contas de clientes, operações de tesouraria, sistemas de conformidade, gestão de liquidez e relatórios financeiros.

A participação precoce também dá às instituições sul-coreanas a oportunidade de influenciar padrões técnicos e operacionais internacionais. Sem coordenação, projetos nacionais de tokenização poderiam reproduzir a fragmentação já encontrada no correspondente bancário.

O que Vem a Seguir?

Testes futuros precisarão cobrir volumes de transações maiores, moedas adicionais, mais instituições e condições operacionais adversas. Os participantes também devem demonstrar economias mensuráveis em liquidez, conciliação, tempo de processamento e gestão de risco.

A viabilidade econômica será tão importante quanto o desempenho técnico. As redes de pagamento existentes podem conter ineficiências, mas já se beneficiam de reconhecimento legal, participação institucional extensa e procedimentos operacionais testados. O Projeto Agorá deve entregar melhoria suficiente para justificar o custo de integração e novos controles.

Conclusão

O teste do Projeto Agorá do Banco da Coreia representa um progresso significativo no desenvolvimento institucional de pagamentos tokenizados. Sua importância não reside nos aproximadamente CHF 800.000 processados, mas no uso coordenado de valor real, seis moedas, reservas tokenizadas, dinheiro de banco comercial e múltiplos cenários de transação.

O teste fortaleceu o caso técnico para liquidação transfronteiriça programável. No entanto, a adoção em larga escala dependerá de integração de sistemas, finalidade legal, privacidade, governança, resiliência e benefícios econômicos claros.

O Projeto Agorá passou do conceito para a implementação prática, mas a transição de experimento controlado para infraestrutura financeira global continua sendo o maior desafio.