A equipe do FMI alcançou um acordo preliminar sobre as revisões combinadas do segundo e terceiro programas de El Salvador, liberando cerca de US$ 140 milhões se o conselho aprovar.
A documentação mostrou que o Bitcoin adicionado desde junho de 2025 veio de doações privadas, sem gastos de dinheiro público, disse o FMI.
Ainda na semana passada, o Escritório do Bitcoin de El Salvador afirmou que havia "comprado" BTC.
Doações privadas são responsáveis pelo Bitcoin que El Salvador adicionou à sua reserva nacional desde meados de 2025, disse o Fundo Monetário Internacional na quinta-feira, anunciando um acordo em nível de equipe sobre as revisões combinadas do segundo e terceiro programas do país.
A documentação fornecida pelas autoridades salvadorenhas verificou que o acúmulo desde a primeira revisão "reflete doações privadas e que nenhum recurso público foi utilizado", disse o fundo. Ele espera que não haja novas adições além dessas doações documentadas.
A conta do FMI difere da que o fundo deu há um ano. Em setembro de 2025, um oficial de comunicações do FMI disseDecrypt que a quantidade total de Bitcoin de propriedade do governo não havia aumentado em nada, e que o crescimento do Fundo de Reserva Estratégica de Bitcoin de El Salvador refletia moedas movendo-se entre carteiras que o estado já controlava.
A reserva detinha 5.968 BTC quando o programa começou em dezembro de 2024 e agora está em 7.764 BTC, segundo o Escritório do Bitcoin de El Salvador. O governo do presidente Nayib Bukele manteve durante todo o tempo que compra um Bitcoin por dia, e anunciou uma compra de 1.090 BTC no valor de aproximadamente US$ 100 milhões em novembro passado.
Ainda na semana passada, o Escritório do Bitcoin tuitou que El Salvador "acabou de comprar mais Bitcoin", anexando um gráfico do tesouro mostrando 31 moedas adicionadas em 30 dias, contradizendo o relato do FMI.
A propriedade majoritária e o controle operacional da Chivo, a carteira estatal lançada junto com a Lei do Bitcoin de 2021, passaram para um operador privado que o fundo não nomeou. El Salvador mantém uma participação minoritária e a responsabilidade de proteger os ativos dos clientes.
As revisões liberariam cerca de US$ 140 milhões, ou SDR 101,96 milhões, assim que o conselho executivo aprovar e El Salvador concluir as ações prévias acordadas. O dinheiro é uma parcela do Extended Fund Facility de US$ 1,4 bilhão e 40 meses aprovado em fevereiro de 2025, cujos termos exigiam que o país tornasse voluntária a aceitação do Bitcoin pelos comerciantes, coletasse impostos em dólares e parasse as compras do setor público.
A equipe também chegou a entendimentos sobre a modernização da regulamentação de ativos digitais e o fortalecimento da governança e da gestão de riscos em torno das participações públicas em criptomoedas.
O fundo projeta um crescimento de 4,5% este ano, impulsionado por investimentos, remessas e turismo, e quer que a dívida pública seja reduzida para cerca de 80% do PIB até 2030.
Quem deu o Bitcoin a El Salvador e quanto cada doador entregou, o FMI não disse.