A Interlace abriu um escritório no Brasil e montou uma equipe local enquanto a empresa de infraestrutura de stablecoin expande suas operações de pagamento e ativos digitais pela América Latina.
Resumo
- A Interlace abriu um escritório no Brasil e montou uma equipe local liderada pelo gerente de país Guilherme Santos.
- A empresa planeja apoiar instituições financeiras, plataformas de comércio transfronteiriço e negócios de ativos digitais por meio de sua infraestrutura de pagamento.
- A Interlace participou recentemente do Blockchain.RIO, onde Santos discutiu pagamentos com stablecoin, ativos digitais e infraestrutura financeira.
- A empresa participará em seguida da Argentina Crecimiento LATAM Digital Assets Conference, de 20 a 21 de agosto.
A Interlace disse que a operação no Brasil conectará instituições financeiras locais, plataformas de comércio transfronteiriço, empresas de ativos digitais e projetos Web3 à sua infraestrutura global de pagamentos e ativos digitais.
Escritório da Interlace no Brasil traz equipe local para o mercado
A expansão dá à Interlace uma presença física em um dos maiores mercados de ativos digitais da América Latina, com a empresa nomeando Guilherme Santos como gerente de país para o Brasil.
Confirmando a mudança no X, a Interlace descreveu sua estratégia como "Global em alcance. Local em construção", acrescentando que o novo escritório fazia parte de seu esforço para tornar os pagamentos com stablecoin e a infraestrutura financeira digital mais acessíveis internacionalmente.
"Nosso novo escritório marca mais um passo para tornar os pagamentos com stablecoin e a infraestrutura financeira digital mais acessíveis em todo o mundo", disse a empresa.
A Interlace também começou a construir relacionamentos com os setores de pagamentos e ativos digitais do Brasil por meio de eventos locais do setor. A empresa participou recentemente do Blockchain.RIO no Rio de Janeiro, onde sua equipe se reuniu com participantes dos setores financeiro, de pagamentos e de criptomoedas do país.
Durante o evento, Santos participou de um painel cobrindo ativos digitais, pagamentos com stablecoin e infraestrutura financeira, colocando o lançamento local da empresa em meio a discussões sobre como a liquidação baseada em blockchain pode se conectar com os serviços financeiros existentes.
O Brasil já tem atividade significativa de stablecoin, juntamente com um sistema de pagamento instantâneo estabelecido. Em junho, o crypto.news noticiou sobre a Oobit, que integrou o USDT da Tether à rede Pix do Brasil, permitindo que os usuários depositem reais brasileiros, mantenham USDT e façam pagamentos por chaves Pix ou códigos QR.
De acordo com esse relatório, o Pix tinha quase 170 milhões de usuários, enquanto o sistema processou BRL 11 trilhões em transações durante 2024. A Oobit disse que a liquidação blockchain poderia funcionar nos bastidores do processo de pagamento, enquanto os usuários continuariam interagindo com os mesmos métodos de pagamento baseados no Pix já disponíveis nos aplicativos bancários brasileiros.
A Interlace não divulgou parceiros bancários ou de pagamento específicos ligados ao seu novo escritório brasileiro. Seu anúncio, em vez disso, identificou instituições financeiras locais, plataformas de comércio transfronteiriço, negócios de ativos digitais e projetos Web3 como os grupos que planeja apoiar por meio de sua infraestrutura.
Pagamentos com stablecoin no Brasil enfrentam regras financeiras mais rígidas
A Interlace está entrando no Brasil enquanto os reguladores aumentam a supervisão das transações de ativos digitais, particularmente aquelas envolvendo stablecoins e pagamentos transfronteiriços.
Um relatório de julho sobre o escrutínio do FMI descobriu que o Fundo Monetário Internacional pediu maior supervisão do mercado de stablecoins do Brasil depois que os fluxos de criptomoedas transfronteiriços se expandiram mais rápido do que os movimentos tradicionais de capital. O FMI disse que o setor de criptomoedas do Brasil se tornou mais intimamente ligado ao sistema financeiro, enquanto regras adicionais eram necessárias em torno da proteção de ativos do cliente, emissão de stablecoins e controles de lavagem de dinheiro.
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, também disse que as stablecoins representavam cerca de 90% dos fluxos de criptomoedas relatados no país, de acordo com o mesmo relatório. Os reguladores citaram tributação, lavagem de dinheiro e riscos relacionados a reservas ao discutir a grande participação de tokens atrelados ao dólar nas transações locais de ativos digitais.
O banco central do Brasil já impôs restrições sobre como os ativos virtuais podem ser usados dentro de canais de pagamento internacionais supervisionados. A Resolução BCB nº 561 exige que pagamentos e recebimentos entre provedores regulamentados de câmbio eletrônico e contrapartes estrangeiras usem transações de câmbio ou movimentações através de contas em reais de não residentes. Ativos virtuais não podem ser usados para liquidar transações dentro desses canais regulamentados de câmbio eletrônico.
A restrição não proíbe a negociação de criptomoedas ou transferências de stablecoins no Brasil. De acordo com a cobertura do FMI, ela separa a infraestrutura regulamentada de liquidação transfronteiriça da atividade privada de ativos digitais conduzida através de carteiras, exchanges e outros serviços de criptomoedas.
Para provedores de infraestrutura que entram no Brasil, as conexões financeiras locais, portanto, coexistem com um regime de conformidade em desenvolvimento que governa como os ativos digitais interagem com os sistemas de pagamento e câmbio existentes.
O interesse comercial em trilhos de pagamento com stablecoins continuou em toda a América Latina ao mesmo tempo. Em junho, a Paradigm liderou um investimento Série A de US$ 9 milhões na El Dorado, uma empresa regional de pagamentos que opera em 12 países latino-americanos, incluindo Brasil, Argentina e Colômbia. A Coinbase Ventures e a Verda Ventures também participaram da rodada.
A El Dorado disse ter processado mais de 5 milhões de transações e atendido mais de 100.000 usuários ativos. A empresa também entrou no ramo de pagamentos empresariais, combinando trilhos de pagamento fiduciário e stablecoin para clientes corporativos envolvidos em comércio transfronteiriço.
O sócio da Paradigm, Ricardo de Arruda, disse que a América Latina lida com mais de US$ 100 bilhões em pagamentos transfronteiriços anualmente, enquanto o CEO da El Dorado, Guillermo Goncalvez, estimou que os fluxos totais poderiam se aproximar de US$ 1 trilhão quando transações comerciais adicionais forem incluídas. Goncalvez disse que cerca de 60% da atividade envolvia pagamentos business-to-business ligados a importações e exportações entre a América Latina e os Estados Unidos.
Interlace planeja sua próxima parada na América Latina na Argentina
A Interlace está agora levando sua expansão regional para a Argentina, onde a empresa está programada para participar da Conferência de Ativos Digitais Argentina Crecimiento LATAM, de 20 a 21 de agosto.
Na conferência, a empresa disse que fará uma apresentação cobrindo práticas de seus projetos globais de emissão de cartões e seus planos para a América Latina. A aparição segue sua participação no Blockchain.RIO e ocorre um dia após o anúncio do escritório no Brasil.
A Argentina também viu grupos financeiros experimentarem stablecoins para pagamentos empresariais e uso de tesouraria. Um relatório de julho sobre stablecoins de peso detalhou projetos separados do BIND Group e do Petersen Group que estavam sendo desenvolvidos por meio de subsidiárias de ativos digitais, enquanto os bancos argentinos permaneciam restritos a oferecer serviços de criptomoedas diretamente.
O BIND Group, que administra mais de US$ 2 bilhões em ativos e é dono do BIND Banco Industrial, vem desenvolvendo uma stablecoin atrelada ao peso por meio do provedor de serviços de ativos virtuais BEN. A BEN também fez parceria com a Circle para fornecer a clientes institucionais acesso ao USDC para gestão de tesouraria e aplicações de pagamento sob o marco regulatório da Argentina.
O Petersen Group, por sua vez, vem trabalhando na stablecoin DIPE com suporte técnico do provedor de infraestrutura de criptomoedas Lirium. De acordo com o relatório de julho, ambos os projetos focaram em funções corporativas, incluindo pagamentos programáveis, gestão de garantias e liquidação de tesouraria, em vez de produtos de pagamento ao consumidor.
A Interlace disse que sua aparição de 20 a 21 de agosto na Argentina cobrirá sua experiência global em emissão de cartões e os planos da empresa para construir suas operações na América Latina.






