Em resumo

  • Procuradores federais mexicanos, a Marinha e a polícia estadual de Puebla invadiram uma propriedade em Tlaola, na remota Serra Norte do estado.
  • Cerca de 300 equipamentos de mineração de criptomoedas foram apreendidos na operação.
  • A operação retirava eletricidade ilegalmente de um complexo alimentado pela represa Nuevo Necaxa.

Procuradores federais mexicanos, a Marinha e a polícia estadual de Puebla apreenderam 300 máquinas de mineração de uma propriedade na Serra Norte que estava retirando eletricidade ilegalmente de um complexo hidrelétrico federal, disse o ministério da segurança estadual no domingo.

Junto com os equipamentos, os agentes levaram transformadores, terminais de média tensão e antenas de internet via satélite em funcionamento do local em Tlaola, um município de cerca de 20.000 habitantes. El País e Mexico News Daily descrevem as máquinas apreendidas como GPUs, o que apontaria para longe do Bitcoin e em direção a moedas ainda mineradas em placas gráficas.

Embora a mineração seja legal no México, os procuradores estão preparando uma acusação de furto de eletricidade.

A mineração "consome muita energia e gera muito ruído, por isso os operadores procuram locais isolados e muito remotos. Foi isso que nos alertou", disse o secretário de segurança estadual, Francisco Sánchez, a repórteres. Os investigadores haviam rastreado relatos de mineração ilegal na região por causa de sua proximidade com a represa Nuevo Necaxa, disse ele, acrescentando que "havia uma conexão de energia muito grande".

Sánchez descreveu o local como parte de uma rede que explora a infraestrutura hidrelétrica da Serra Norte e disse que a mesma atividade está ocorrendo em estados vizinhos, com buscas se estendendo a municípios próximos.

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Contadores forenses entram em ação

A lavagem de dinheiro não foi descartada. Contadores forenses estão rastreando quem financiou o hardware, de acordo com relatos da mídia local, e o governo estadual disse que está examinando se os ativos produzidos lá foram usados para lavar os lucros do crime. A Comissão Federal de Eletricidade do México está participando da investigação.

A concessionária estimou as perdas não técnicas por roubo, adulteração de medidores e ligações ilegais em 6.346 gigawatts-hora entre janeiro e julho de 2024, no valor de cerca de 13,8 bilhões de pesos (US$ 817 milhões).

Outras três operações de mineração foram desmanteladas no estado e no vizinho Tlaxcala em 2025, e uma fazenda encontrada perto da mesma represa no ano passado foi supostamente operada em propriedades pertencentes ao sindicato dos trabalhadores de eletricidade.

O México não é o único país que lida com roubo de eletricidade por mineradores de criptomoedas, com batidas semelhantes ocorrendo em todo o mundo. No ano passado, as autoridades da Malásia apreenderam mais de 75.000 equipamentos de mineração por roubo de energia que sua concessionária avaliou em US$ 1,1 bilhão, e a polícia brasileira fechou uma operação ilegal no Rio de Janeiro.