Em resumo
- A Comissária de Segurança Online da Austrália entrou com um processo de penalidades civis contra o Telegram, buscando até A$ 54,6 milhões (US$ 38 milhões).
- A reguladora afirma que pode pedir a um tribunal que desative o serviço na Austrália, poderes que nunca usou.
- O Telegram diz que rejeita as alegações e as contestará no tribunal.
A reguladora de segurança online da Austrália levou o Telegram ao tribunal por conteúdo extremista, buscando penalidades de até A$ 54,6 milhões (US$ 38 milhões), e levantou a possibilidade de pedir a um tribunal que desative o serviço no país.
A Comissária de Segurança Online entrou com um processo de penalidades civis no Tribunal Federal na quinta-feira após uma investigação de um ano. Ela alega que o Telegram falhou em detectar "material pró-terror" conhecido, incluindo o ataque transmitido ao vivo à mesquita de Christchurch em 2019 e o ataque ao supermercado de Buffalo em 2022, que permaneceu no ar por quase três meses, e que seus termos de serviço não proíbem material pró-terror em todas as partes do aplicativo.
Julie Inman Grant, a Comissária de Segurança Online, disse à BBC News que a plataforma manteve um "ambiente permissivo" no qual o conteúdo extremista era "muito fácil de encontrar", e que isso "apenas serve para dessensibilizar, normalizar e às vezes radicalizar" os usuários. O Telegram também era "às vezes usado para planejar ataques", acrescentou.
A Austrália não licencia plataformas, observou Inman Grant, mas "poderíamos solicitar ao tribunal federal e pedir que o serviço seja encerrado". Ela acrescentou: "Nunca usamos esses poderes. Veremos como tudo isso se desenrola." A reguladora emitiu ao Telegram uma notificação de infração de quase US$ 1 milhão em fevereiro do ano passado por um atraso de cinco meses em responder perguntas sobre material de terror e exploração sexual infantil. O Telegram chamou essa penalidade de "injusta e desproporcional" e disse que iria recorrer.
Três jurisdições, uma reclamação
O processo foi apresentado um dia depois de o FSB da Rússia acusar o fundador do Telegram, Pavel Durov, de auxiliar o terrorismo e colocá-lo em uma lista de procurados internacional, alegando que a plataforma não removeu canais usados pela inteligência ucraniana e grupos extremistas. Ele enfrenta prisão perpétua se for condenado lá.
Durov foi separadamente indicado na França em 2024 por tráfico de drogas, fraude organizada e material de abuso sexual infantil no Telegram, e foi liberado sob supervisão judicial. Durov nega irregularidades e chamou o caso de "legal e logicamente absurdo".
Um porta-voz do Telegram disse à BBC que seus esforços "extensivos" antiterrorismo estavam "bem documentados", acrescentando: "Rejeitamos essas alegações e as contestaremos no tribunal."
A ação é um teste à lei australiana de 2021 que exige que as plataformas mantenham material pró-terrorismo fora de suas redes, e vem logo após a proibição do país de redes sociais para menores de 16 anos, que foi liderada por Inman Grant.






