Os maiores bancos do Brasil expandiram suas ofertas de criptomoedas para até 28 ativos depois que as transações no país alcançaram R$ 505,5 bilhões ou cerca de US$ 98,7 bilhões em 2025.
Resumo
- O Itaú agora oferece 15 criptoativos, enquanto o Nubank listou 28 tokens para clientes.
- O Banco do Brasil processou mais de R$ 11 milhões em transações de criptomoedas desde janeiro.
- Documentos de março mostram que os bancos brasileiros não detinham ativos virtuais em seus próprios balanços.
- As empresas de criptomoedas enfrentam novas regras de licenciamento, capital e ativos de clientes sob o marco regulatório do Brasil.
Bancos brasileiros expandem acesso a criptomoedas sem assumir exposição
A Folha de S.Paulo noticiou em 7 de setembro que Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank expandiram seus serviços de ativos digitais desde 2025, dando aos clientes acesso a criptomoedas por meio de aplicativos bancários familiares.
O Itaú, o maior banco do Brasil em ativos sob gestão, agora oferece 15 criptoativos por meio de sua plataforma de investimentos. Sua seleção inclui Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e a stablecoin USDC, lastreada em dólar, da Circle.
O Nubank construiu uma seleção maior, listando 28 ativos digitais para mais de 7 milhões de usuários de sua plataforma de criptomoedas. O Banco do Brasil, o banco estatal mais lucrativo do país, começou a permitir que clientes comprassem Bitcoin e Ethereum diretamente em janeiro.
Desde a abertura do serviço, o Banco do Brasil processou mais de R$ 11 milhões (US$ 2,1 milhões) em transações de clientes, de acordo com informações fornecidas pelo banco à Folha.
O acesso dos clientes não levou as instituições a comprar criptomoedas para suas próprias contas. Documentos do Banco Central do Brasil de março de 2026, revisados pelo jornal, mostraram que os bancos brasileiros não relataram ativos virtuais em seus balanços.
Sob o modelo de serviço usado pelos bancos, os clientes podem comprar ou manter ativos digitais enquanto a instituição fornece custódia ou processa a ordem. A exposição proprietária surgiria apenas se um banco usasse seus próprios fundos para adquirir criptomoedas e aceitasse os riscos relacionados de preço, liquidez e crédito.
Carlos Akira Sato, cofundador da consultoria financeira Syscapital, disse que a demanda dos clientes levou os bancos a adicionar os produtos, mesmo permanecendo cautelosos quanto à exposição direta.
“Em um setor conservador, como é o setor bancário, a regulação torna as instituições mais seguras para lançar seus produtos”, disse Sato à Folha.
Transações de criptomoedas atingiram R$ 505,5 bilhões em 2025
Usuários e empresas brasileiros realizaram R$ 505,5 bilhões (US$ 98,7 bilhões) em transações de criptomoedas durante 2025, de acordo com dados da autoridade tributária federal do país, a Receita Federal.
O total aumentou 22% em relação a 2024 e 433% em relação ao valor registrado em 2020. As empresas foram responsáveis por quase toda a atividade relatada, realizando R$ 497 bilhões, cerca de US$ 97 bilhões em transações, ou 98,3% do volume anual.
Os investidores individuais geraram a parcela restante. Os números cobrem a atividade relatada à autoridade tributária e não mostram quanto do volume passou por plataformas operadas por bancos.
As stablecoins compõem grande parte do mercado de ativos digitais do Brasil porque dão aos usuários acesso a tokens projetados para rastrear o dólar americano. Em julho, o Fundo Monetário Internacional pediu maior supervisão das stablecoins à medida que os fluxos de criptomoedas transfronteiriços se tornaram mais conectados ao sistema financeiro brasileiro.
A Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro do FMI disse que as compras de stablecoins no Brasil eram duas a três vezes mais sensíveis a choques globais do que o investimento em carteira e o investimento direto estrangeiro. O fundo também identificou lacunas na proteção do cliente, controles de lavagem de dinheiro e supervisão da atividade transfronteiriça.
O Banco Safra, que atende principalmente clientes de alta renda, entrou no mercado de stablecoins diretamente em setembro de 2025 ao emitir o Safra Dólar. O banco mantém a custódia do token atrelado ao dólar internamente e o oferece a clientes que buscam exposição ao dólar sem abrir uma conta bancária no exterior.
O Itaú também considerou emitir um token atrelado ao real brasileiro. Em abril de 2025, o chefe de ativos digitais do banco, Guto Antunes, disse que o projeto dependia do resultado de uma consulta do Banco Central, embora as stablecoins tenham permanecido na agenda do Itaú. O banco ainda estava avaliando um token interno enquanto os reguladores trabalhavam em regras para o setor.
Regras de cripto no Brasil definem requisitos de capital e licenciamento
O Marco Legal dos Ativos Virtuais do Brasil, promulgado em 2022, atribuiu a supervisão do setor ao Banco Central. O regulador então publicou as Resoluções 519, 520 e 521 em novembro de 2025 para estabelecer regras operacionais para prestadores de serviços de ativos virtuais.
Empresas que permitem que clientes negociem, transfiram ou mantenham cripto devem obter autorização, manter capital mínimo e separar os ativos dos clientes dos fundos da empresa. Cerca de 120 empresas de cripto que operam no Brasil devem cumprir os requisitos de licenciamento até 30 de outubro de 2026.
Em julho, o Banco Central aprovou regras adicionais de capital e risco que começarão a vigorar em janeiro de 2027. O marco coloca os prestadores de serviços de ativos virtuais dentro da estrutura regulatória usada para corretoras e distribuidoras, adicionando requisitos de governança, divulgação e gerenciamento de riscos.
Sob a nova estrutura prudencial, os provedores de cripto entrarão no segmento regulatório S4 do Brasil até meados de 2028. Instituições menores classificadas no segmento S5 não poderão mais fornecer serviços de ativos virtuais.
A Resolução 521 também trouxe algumas transações de cripto para o quadro cambial brasileiro. Compras, vendas ou trocas envolvendo tokens denominados em moeda estrangeira, incluindo stablecoins atreladas ao dólar, são tratadas como operações de câmbio e carregam requisitos de relatórios semelhantes a certas transferências internacionais de dinheiro.
Bancos licenciados já operam sob supervisão do Banco Central, dando-lhes uma estrutura de conformidade estabelecida enquanto empresas exclusivamente de cripto preparam pedidos de autorização. As regras não exigem que os bancos comprem ativos digitais para suas próprias carteiras antes de oferecer serviços de custódia ou execução aos clientes.
Bancos dos EUA também podem fornecer custódia de cripto
As regras bancárias americanas também separam os serviços de cripto direcionados ao cliente dos ativos comprados para conta própria do banco. Em março de 2025, o Escritório do Controlador da Moeda confirmou que bancos nacionais e associações federais de poupança podem fornecer custódia de cripto, realizar certas atividades de stablecoin e participar de redes de ledger distribuído.
A Carta Interpretativa 1183 do OCC removeu um requisito anterior para bancos supervisionados obterem não objeção por escrito antes de iniciar atividades de cripto permitidas. A agência disse que os bancos ainda devem conduzir tais negócios com segurança, justiça e em conformidade com a lei aplicável.
Dois meses depois, a Carta Interpretativa 1184 do OCC confirmou que bancos cobertos podem comprar e vender cripto mantido em custódia quando agindo sob instruções do cliente. Os bancos também podem terceirizar custódia e execução para terceiros, desde que apliquem controles de risco de terceiros adequados.






